Crash estranhos prazeres: filme sobre sexo em acidentes de carro (!)

Houve uma época em que inteligência e sensibilidade bastavam para se entender um filme, um quadro, uma peça de teatro. Hoje em dia também é preciso paciência e estômago bom. Como de algum tempo para cá gênios são aqueles que conseguem sacudir o estabelecido, chocar virou palavra de ordem. Adjetivos como provocante, instigante ou polêmico se tornaram características almejadas pela maioria dos artistas. Para se destacar da pasmaceira reinante, quanto maior o barulho melhor. O que vale é o império do escândalo, o festival de experimentos malucos.

Retirado da revista IstoÉ. Leia o texto integral aqui (muito bom por sinal).

Já tinha ouvido falar do filme Crash – estranhos prazeres já faz bastante tempo, mas só agora finalmente resolvi conferir a obra de David Cronenberg, diretor conhecido por ter um currículo recheado de filmes no mínimo estranhos. Não me considero uma pessoa facilmente impressionável, mas algumas cenas do filme realmente chocam, principalmente pela índole e atitudes de alguns personagens. A obra me lembrou bastante o filme 8 milímetros de Joel Schumacher (sim, o mesmo da bomba Batman e Robin ). Em 8 milímetros o assunto tratado são Snuff films (filmes pornôs onde a intérprete, no final, é brutalmente assassinada). O filme de Schumacher passa esse mesmo desconforto que Crash pois também mostra personagens doentios de forma explícita.

A diferença é que Crash, apresenta os personagens e seu universo bizarro e fica só nessa. Não tem climax, não tem objetivo, não tem nada. Após uns 30 minutos o filme torna-se bastante cansativo. O problema não é ser chocante, é achar que basta conseguir os almejados adjetivos mencionados no texto da IstoÉ: provocante, instigante ou polêmico, para um filme ser bom.

Já 8 milimetros é um filme mais organizadinho e bem feito, com introdução dos personagens, do universo (apresentado para o personagem de Nicholas Cage por Joaquim Phoenix), investigação, climax e final. 8 milímetros tem o objetivo de chocar (talvez menos que Crash), mas vai além disso. Não que Crash seja de todo ruim, mas justamente suas qualidades como o assunto diferente, a coragem de Cronenberg, vários diálogos, e alguns detalhes sutis nos fazem ficar ainda mais decepcionados pois o filme podia ter sido muito mais

Crash só é cult por causa do assunto,do diretor e dessa vontade desenfreada de impressionar. Mas mesmo com essa decepção, ainda assim, estou bastante curiosa para assistir aos outros filmes de Cronenberg como Marcas da Violência e especialmente Videodrome (que está na lista dos 300 filmes para ver antes de morrer). Crash me parece o tipo de filme de bom diretor que não conseguiu se acertar.

Quem quiser ver outras críticas, aqui tem uma bem interessante.

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2 comentários sobre “Crash estranhos prazeres: filme sobre sexo em acidentes de carro (!)

  1. CRASH é um ótimo filme, que infelizmente aquele ‘outro’ filme horroroso dirigido pelo Paul Haggis plagiou o nome!
    E como pode vc comparar Cronenberg com Joel Schumacher? Herege! hehhe

    Mas veja MARCAS DA VIOLÊNCIA – é um dos melhores filmes da década e (agora quem vai ser herege sou eu) talvez o melhor do diretor. Abs!

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