ET, o maior fracasso dos jogos de video game de todos os tempos

Embora o primeiro video game lançado no mundo tenha sido o Odyssey em 72, ele logo sucumbiu para o Atari, que foi lançado só em 77. Isso se deve ao fato do Atari ter a sensação da época em se tratando de jogos: o Pong. Claro que nenhum console vive de um jogo só, e outros de grande qualidade foram lançados posteriormente. Nessa época, a Atari ficava cada vez mais rica e rica e rica, até que em 83, depois do lançamento de alguns jogos fracassados, em especial ET, as ações da empresa despencaram. O declínio foi tão grande que 1983 é conhecido como ano do crash dos video games. Felizmente logo os video games domésticos se recuperaram com o lançamento do Nintendinho em 85 nos EUA (e um pouco antes no Japão).

Mas então, no final de 83, o tinha um monte de Atari sobrando nos Estados Unidos. E o que fazer quando tem um monte de console encalhado nos EUA ? O mesmo que fazem com o Playstion 2 hoje em dia ! Vender para o Brasil : P

Por isso, entre 84 e 86 esse console vendia que nem água em terras brasileiras, mesmo tendo um preço relativamente elevado. Graças a esse grande atraso na chegada da tecnologia ao Brasil, eu que nasci em meados dos anos 80 tive a chance de vivenciar o período Atari jogando com o Atari do meu irmão.

Eu poderia aqui descrever os meus jogos favoritos, e de fato farei, futuramente em outro post, mas esse post serve pra falar do maior fracasso em se tratando de jogos de video game ever, o jogo do ET.

Pra quem é um ET e não sabe nada a respeito (ok, trocadilho infame), o filme ET foi um sucesso estrondoso. Eu nem era nascida quando ele estreou nos cinemas, mas eu sei que ele foi um super sucesso por um motivo: quando o filme passou tipo, pela segunda ou terceira vez na Globo, eu estava numa colônia de férias na praia, e lembro que a sala de TV da colônia LOTOU total, e era um super blá blá blá em cima do filme.

A Atari então, lá por 82 (antes do crash), super malandrete, pensou com seus botões: meu video game vende que nem água, ET é um filme de muito sucesso. Óbvio que se eu fizer um jogo sobre o ET, eu vou faturar doláres até não poder mais (insira uma risada de executivo maligno aqui).

Aí a Atari pegou e fez um jogo podre as pressas, e lançou milhões de unidades do jogo. Tiragem inicial imensa. Só que ninguém curtiu o treco, e ele encalhou tremendamente nas lojas, levando, como mencionei antes, ao grande crash dos video games. Foi tamanho o encalhamento, que a Atari pegou grande parte das fitas que sobraram e simplesmente enterrou num deserto !!! Não é lenda, a Atari destruiu suas próprias fitas para disfarçar o embaraço causado.

Dentre os muitos jogos que joguei para Atari, ET não estava entre eles (até porque quando eu comecei a jogar Atari, acho que já tinham destruido quase todas as fitas : P). Portanto não tive a chance na época de jogar o joguinho dessa criaturinha meiga e amável. Mas pelo menos já tive a chance de voar na bicicleta dele e passar pela Lua lá na atração da Universal Studios em Orlando, o que certamente é muito mais divertido que qualquer jogo de Atari.


Entrada da atração do ET, que é tosca demais, mas eu acho linda.

Mas voltando ao jogo em si, resolvi experimentar ele esses dias pra ver se é tão ruim assim como dizem. Bom, esse video mostra como funciona o jogo. Você é o ET e tem que achar as partes de um telefone interespacial para o ET poder chama sua nave espacial e voltar para casa. Notem que para encontrar as 3 peças (que na tela são pontos amarelos você anda por vários lugares, tendo que fugir de uns agentes chatos e tal. Tem também uns pontos pretos que são doces.

O jogo começava bem, a musiquinha dos ET tocava na abertura, o que só fazia crescer aquela expectativa, que segundos depois era totalmente frustrada.

O maior problema do jogo, DISPARADO, é que em nenhum momento é dito que você tem que encontrar essas partes do tal telefone. Eu mesmo só fiquei sabendo disso porque li na Internet. Quem pega o jogo fica achando que é só ficar andando sem rumo. E andar a esmo não é divertido. Além disso, como a maior parte dos jogos do Atari não tem final, muita gente achou que esse jogo também não tivesse, que fosse só ficar andando a esmo mesmo. Mas tem final sim.

Vejam só algumas critícas que eu encontrei a respeito do game.

Essa aqui é de um americano revoltadíssimo com o jogo. Se você sabe inglês recomendo que leia na integra, porque é muito engraçada ! Aqui a melhor parte que eu vou traduzir para vocês bem:

“… no point to the game, unless you like the idea of falling in ditches, and trying to get out with a stretch neck fun …”

“… jogo sem sentido, a menos que você goste da idéia de cair em buracos, e ficar tentando sair deles com um pescoço divertido que estica …”.

Aproveitando que você sabe inglês, assiste esse video do youtube. Avance para 2:08 que a partir dai fica hilário !!! E tem muitos outros, video sobre o assunto é o que não falta.

nesse post em português, o autor diz:

Até hoje a lógica desse jogo aflinge a humanidade, juntamente com o problema dos números primos e da origem do universo (apesar destes 2 últimos estarem quase resolvidos)…

Ou seja, o grande problema do jogo, nem era ser ruim de doer, é o fato de o objetivo nunca ficar claro, o que frustrava até os fanboys mais ardorosos do ET.


O buraco da discórdia.

Claro, haviam outros defeitos: era meio difícil de identificar por onde o ET podia caminhar devido aos gráficos mal feitos. Eu sei que o Atari é limitado, mas Pitfall é da mesma plataforma e é mil vezes mais bonito. Fora que existiam vários buracos que te levavam para outras telas. O problema é que esses buracos meio que apareciam do nada, e cair neles era bem decepcionante.

O fato do jogo ser ultra paradão também contribui, afinal, você não podia matar ninguém, era só fuga.

Mas se o objetivo estivesse bem claro, talvez o jogo não tivesse sido um fracasso tão grande, e certamente ele não ganharia a alcunha de pior jogo do mundo. Se a Atari não tivesse sido apressada em lançar o jogo e tivesse feito umas sessões de teste, a história teria sido diferente.

PS: Tutorial para terminar o jogo do ET, porque sim, esse jogo tem alguns fãs.

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19 comentários sobre “ET, o maior fracasso dos jogos de video game de todos os tempos

  1. O problema de antigamente é o mesmo de hoje. As pessoas não querem ler manual…

    No mundo Linux temos várias perguntas que são respondidas “educadamente” com um RTFM. No manual do jogo ET diz o objetivo.

    Como a versão que eu tinha disponível não era a oficial, nem manual eu tinha. Após inúmeras quedas nos buracos, saquei a lógica do jogo e consegui terminá-lo.

    Quem jogava missile command nakele tempo não queria pensar muito. Era só apertar botão! Qualquer semelhança com os que “odeiam” jogo no estilo rpg hoje, não é mera coincidência…

    Em tempo.
    Smurf tem final, mas depois reinicia num nível mais difícil.
    Super Man tem final, toca uma musiquinha de 3 notas e acaba.

  2. Eu tive um Atari 2600, lá pelos idos de 1988 – então eu estava com 5 anos – meu pai viajou até o Uruguai para comprar.

    Eu tinha 3 jogos – River Raid, Hero e Daemon Atack – e então um dia, eu fiz a maior burrada da história da minha vida de gammer: Troquei Hero por E.T. – eu tinha visto o filme na escola, em 89, numa daquelas sessões que as professoras fazem no meio da aula, que hoje eu sei servem apenas para elas poderem ir fumar na cantina – e estava louco pelo jogo. Um “muy amigo” meu me disse que o jogo era bala, e que ele tinha virado o jogo umas 2 vezes. Eu troquei, já tava de saco cheio de jogar Hero e fui desvendar ET. Que bela decepção, acho que só fui decepcionado de novo dessa maneira com o filme “Alone In The Dark” – essas coisas não poderiam acontecer, uma decepção dessas pode ser a diferença entre um pai de família com esposa e 3 filhos e um serial killer que mora no porão da casa da mãe dele.

    Resumindo a história, demorei mais uns 6 meses pra me ligar de como eu deveria fazer para acabar o jogo, daí em diante, era MUITO fácil de acabar ele.

    Consegui, meses depois, trocá-lo por um jogo de Ski para o Atari – imagina como era – dizendo que ET era ruinzinho, mas, jogável. Fui canalha demais nesse dia.

    Atari é responsável pela minha primeira noite em claro e pela minha primeria decepção, grandes momentos.

    []’s

  3. Muito louco seu coment Guilherme! kkkkkkkkkk
    Alone in the Dark foi decepcionante mesmo… agora virou Alone in the Prateleira! rs

    Mariane, sim o final era salvando a Smurfete, depois ia ficando muito difícil e mais rápido. Era um jogo bem infantil.

    Não é que eu me puxei… tah, puxei… kkk, eu descobria muita doidera nos jogos de tanto que eu jogava. O vicio era tanto que eu acordava as 05 da matina, pra jogar antes do meu irmão. kkkkkkkkkk

  4. ET, assim como Superman e vários outros jogos do Atari eram extremamente feios e sem graça. E não era só limitação do console, tanto que tinha muito joguinho divertido. (Gostava daquele do súper, Keystone Kappers ou algo assim.)

    Bizarro era um vizinho lá da praia que era viciado no Atari, lembro que o guri passou a noite em claro porque disseram pra ele que enduro tinha final, e ele acreditou… hehehehe

    Antes do Atari (o meu era da CCE e queimou), eu jogava TeleJogo com o meu irmão (TeleJogo guerreiro que eu vendi no Mercado Livre por 120 pila anos atrás), depois tive um Phantom System e logo em seguida, o Mega Drive (lá em 91) com o qual fiquei até 95. Depois, tive em 2003/04 um Play 1 que entrou num rolo e eu usei tri pouco e acabei dando pra minha ex-sogra, que joga direto até hoje.

    🙂

  5. Oi!

    Parabéns pelo post, mas devo confessar que já sabia dele xD

    Sou Tecnólogo em Jogos Digitais e vimos estas histórias do entretenimento no primeiro semestre, realmente tá tudo certinho uhassauhasuhasuh

    A parte das fitas no deserto… que evil aquilo né. Credo… Imagina tu no deserto morto de sede acha uma garrafa, cava e cava e acha um cartucho do ET o.O uhashuashuasshu

    Parabens pelo post, adorei ler. E também curti o de não se achar tão nerd… Já passei por isso xD

  6. Não joguei o ET não!
    Mas adora o Keystone kepper! Aquele do bandido no shopping e vc tem que prender! Além, claro, do Pitfal que eu chamava carinhosamente de Indiana Jones! Hehehe! E o Enduro tb era ótimo!

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